Recentemente os olhos do mundo voltaram-se para o Egito.
Palco de uma revolta pacífica, exemplar, os cidadãos egípcios encerraram mais de 30 anos de ditadura.
Contudo, vale lembrar que até pouco tempo atrás, pouco falava-se do Egito.
Quando muito, referências a este país traziam lembranças mais populares como pirâmides, múmias, e faraós.
Pouca gente se lembrava de que no Egito havia uma sórdida ditadura.
O autoritarismo de Mubarak tornou-se evidente e impopular somente quando a cômoda estabilidade política do país começou a ruir.
Mas antes disto, ninguém se importava com a política do Egito.
Obama, Nobel da Paz, jamais dirigiu uma palavra solicitando uma transição política ANTES dos protestos.
A ditadura de Mubarak era conveniente para os EUA e todo o mundo ocidental.
Agora é a vez da Líbia. Mesma coisa, olhos voltados para aquele país, com o detalhe de que os protestos encontraram uma violenta reação do ditador Khadafi e sua família.
Mas, também como no Egito, antes destes protestos, pouco falava-se sobre a política Líbia.
Mais uma vez, exemplar ditadura mantendo o controle numa região rica em petróleo. A Líbia é o 12º produtor de petróleo do mundo e principal fornecedor para a Europa.
Agora não há como evitar, o mundo ocidental não pode ignorar a situação política, ainda mais depois de Khadafi ordenar ataques violentos aos protestos.
O mais curioso é que mesmo assim, com Khadafi e tudo mais, A ONU e os EUA suspenderam embargos e sanções contra o país.
Enquanto uma nação for convenientemente útil aos EUA ou ao Ocidente, não faz diferença se nela há ditadores, déspotas ou torturadores. Pouco importa se lá a “imprensa é livre”. O que importa é: o país produz petróleo e é meu chapa.
Tudo isto soa hipócrita demais.
Parabéns Obama, Nobel da Paz.
Escrito por emilianofraga 


