Este fi
m de semana assisti ao filme “Boa Noite, Boa Sorte“.
Curiosamente, antes do filme, comentei com minha esposa sobre a sensível queda da qualidade dos programas da TV aberta. No momento do meu comentário, assistíamos um trecho do “Fantástico”.
É notável o que as emissoras fazem para ganhar audiência. É triste perceber que a emissora que detém a primeira posição nas pesquisas reduz cada vez mais o nível cultural e crítico de seus programas.
E as concorrentes, claro, espelham-se na liderança, gerando uma espiral viciosa, cujo centro leva-nos a um buraco negro de estupidez e alienação.
O cenário se agrava se considerarmos que as emissoras brasileiras são todas concessões públicas, ou seja, deveriam a princípio servir aos interesses da sociedade brasileira.
Então este é o interesse de nossos cidadãos? Segundo nossas emissoras, sim, o cidadão brasileiro médio deseja vulgaridade, repetição, diversão simples e barata, bem como alienação, engodo, absoluta ausência de inteligência.
Há quem defenda esta idéia, que a TV dá ao povo o que o povo quer ver. Isto tudo seria muito democrático se, por trás da audiência, não houvessem interesses financeiros do oligopólio da mídia brasileira.
Finalizo meu texto com uma citação do filme:
Àqueles que dizem, “As pessoas não iriam ver, elas não se interessariam, elas são muito complacentes, indiferentes e isoladas” eu só posso responder: existe, na opinião de um repórter considerável evidência contra essa idéia.
Mas mesmo que elas estejam certas, o que elas têm a perder?
Porque se elas estão certas, e esse instrumento não é bom pra nada além de entreter, distrair e isolar, então a tela está chiando e logo nós veremos que todo esforço está perdido.
Esse instrumento pode ensinar, pode iluminar e até mesmo inspirar.
Mas ele só pode fazer isso na medida que for utilizado para esses fins.
Caso contrário, é somente fios e luzes numa caixa.
Boa noite, e boa sorte.
Edward R. Murrow
Escrito por emilianofraga
Escrito por emilianofraga
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