Hipocrisia

segunda-feira, 21 fevereiro, 2011

Recentemente os olhos do mundo voltaram-se para o Egito.

Palco de uma revolta pacífica, exemplar, os cidadãos egípcios encerraram mais de 30 anos de ditadura.

Contudo, vale lembrar que até pouco tempo atrás, pouco falava-se do Egito.

Quando muito, referências a este país traziam lembranças mais populares como pirâmides, múmias, e faraós.

Pouca gente se lembrava de que no Egito havia uma sórdida ditadura.

O autoritarismo de Mubarak tornou-se evidente e impopular somente quando a cômoda estabilidade política do país começou a ruir.

Mas antes disto, ninguém se importava com a política do Egito.

Obama, Nobel da Paz, jamais dirigiu uma palavra solicitando uma transição política ANTES dos protestos.

A ditadura de Mubarak era conveniente para os EUA e todo o mundo ocidental.

Agora é a vez da Líbia. Mesma coisa, olhos voltados para aquele país, com o detalhe de que os protestos encontraram uma violenta reação do ditador Khadafi e sua família.

Mas, também como no Egito, antes destes protestos, pouco falava-se sobre a política Líbia.

Mais uma vez, exemplar ditadura mantendo o controle numa região rica em petróleo. A Líbia é o 12º produtor de petróleo do mundo e principal fornecedor para a Europa.

Agora não há como evitar, o mundo ocidental não pode ignorar a situação política, ainda mais depois de Khadafi ordenar ataques violentos aos protestos.

O mais curioso é que mesmo assim, com Khadafi e tudo mais, A ONU e os EUA suspenderam embargos e sanções contra o país.

Enquanto uma nação for convenientemente útil aos EUA ou ao Ocidente, não faz diferença se nela há ditadores, déspotas ou torturadores. Pouco importa se lá a “imprensa é livre”. O que importa é: o país produz petróleo e é meu chapa.

Tudo isto soa hipócrita demais.

Parabéns Obama, Nobel da Paz.


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